OS CORPOS PERFEITOS DA MÍDIA

E A MORAL DA BOA FORMA:

Paradoxos da saúde, da beleza e da juventude

nas experiências corporais contemporâneas

Este projeto se propõe a investigar as transformações nas vivências da condição encorpada na sociedade ocidental contemporânea - especialmente no contexto brasileiro e, em particular, no Rio de Janeiro - focalizando a influência da mídia nas experiências e nas práticas corporais. Por um lado, hoje o corpo ocupa o centro da cena, inspirando todos os cuidados que implica a devoção às boas formas e ao bem-estar corporal. Por outro lado, também se vê extremamente constrangido por um conjunto de crenças e valores que parecem desprezar sua condição orgânica e carnal, tais como os mitos da beleza, da saúde, da magreza e da juventude. Trata-se, portanto, de um corpo que é adorado e trabalhado como imagem e, ao mesmo tempo, é rejeitado em sua materialidade orgânica. O papel dos meios de comunicação nesses processos é fundamental, numa aliança tácita com o mercado e a tecnociência, pois a incessante irradiação de imagens e discursos midiáticos contribui para a disseminação dos padrões corporais hegemônicos, além de divulgar o catálogo de técnicas, produtos e serviços disponíveis para atingi-los, bem como a cartilha de riscos e implicações morais que decorrem da sua “inadequação”. O objetivo desta pesquisa consiste em estudar os diversos vetores que confluem nesse aparente paradoxo do estatuto do corpo humano na contemporaneidade, visando a compreender seus desdobramentos e sentidos, além de definir linhas de ação. Os adolescentes, estudantes do ensino médio nas escolas públicas do Rio de Janeiro, são o público-alvo mais vulnerável na exposição a esses discursos e, portanto, o mais importante de ser atingido por meio de estratégias midiáticopedagógicas que visem a fomentar o debate.

 

 

Projeto desenvolvido com apoio do CNPq (Bolsa de Produtividade em Pesquisa, 2009-2011) e da FAPERJ (Jovem Cientista do Nosso Estado, 2010-2013), além do estágio pós-doutoral na Université Paris VIII, da França, com bolsa da CAPES (2012)